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| Sr. Alcides em 2009 (Foto: Daniel Corrá) |
**Entrevista realizada em julho de 2009
"Meu bem mais precioso é a saúde, os amigos e a vontade de viver, pois temos que gostar da vida, né?! Se não gostarmos da vida, a gente entra em depressão e ai não dá. A vida é um dom divino. "
Nascido na pequena cidade mineira de Sapucaí Mirim, Alcides Rodrigues veio logo jovem para Monteiro Lobato, e hoje, é singular na história de nossa cidade.
Na infância teve apenas a oportunidade de frequentar uma escola rural no município natal. Traz com orgulho na mente os ensinamentos de seu pai, e em humildes palavras acrescenta: “O resto, a vida me ensinou”. Seu único diploma foi um certificado ginasial, obtido aos seus 45 anos (1974), através de exames supletivos, já no Estado de São Paulo. “Certificado este, que pra mim é como se fosse um diploma de faculdade”, diz Alcides exibindo o documento com orgulho. Em uma pequena autobiografia, relata sobre sua determinação e instrução para conseguir seu certificado, da seguinte maneira: “A força de vontade sempre faz a gente ir vencendo na vida. Essa é a grande verdade para todos”.
Depois de passar sua infância e parte da adolescência em Sapucaí, 'seu' Alcides veio então morar em Monteiro Lobato com a família. Em 1942, perdeu sua mãe e posteriormente, seus irmãos mais novos, vítimas de sarampo e coqueluche, doenças que na época não existia qualquer tipo de imunização. Alguns anos após o falecimento de sua mãe, Alcides se casou com Maria Teresa Gonçalves, na capela de São Benedito, formando uma nova família. Desta união nasceram 2 filhos, Dimas e Edson.
Em 1943, o sábio senhor foi trazido pelo amigo Ernesto Manzi (sobrinho do então pároco Cônego Antônio Manzi), de São Benedito para o centro da cidade, ganhando emprego no recém-criado Centro de Saúde (que na época funcionava na Rua Abílio Pereira Dias – sentido delegacia), obra do prefeito Caetano Manzi. Sua permanência no setor da Saúde, ele relata com precisão: de 04 de março de 1953 a 13 maio de 1988, 35 anos de muito trabalho e dedicação, cuidando de pessoas doentes, indo à casa dos moradores da zona rural com o famoso Jeep da prefeitura. Na vida pública ainda foi vereador e presidente da Câmara por dois mandatos.
Em sua história de vida, Alcides destaca sua grande devoção à religião e a Igreja Católica. Congregado Mariano, diz que a congregação lhe ajudou em sua caminhada espiritual. Assim como seus trabalhos de Sacristão, Ministro da Paróquia, que já lhe renderam enorme alegria e honra.
Em uma entrevista muito a vontade, realizada em sua própria casa, com a companhia do famoso Caetano, presente em todos os momentos importantes do município, o carismático senhor, conta tudo sobre sua vida, sobre a cidade, com brilhos nos olhos, e sorriso de encher a alma. Além da inteligência infinita, e candura de poucos.
Em todos os anos vividos, qual foi sua melhor experiência de vida?
Pra ser sincero, a Congregação mariana, pra mim foi uma experiência de vida muito boa. Hoje, eu sou sacristão da Paróquia, já faz 56 anos. A Congregação foi uma grande experiência e como sacristão eu me sinto muito gratificado, e eu faço tudo nesta Igreja.
Pra ser sincero, a Congregação mariana, pra mim foi uma experiência de vida muito boa. Hoje, eu sou sacristão da Paróquia, já faz 56 anos. A Congregação foi uma grande experiência e como sacristão eu me sinto muito gratificado, e eu faço tudo nesta Igreja.
Pro senhor, o que mais vale a pena na vida?
Os amigos. Humanamente falando, a amizade é a melhor coisa que tem. E a gente fazer o que pode pelos outros, ajudar quem a gente pode. Isso é um mandado Divino. Nosso Senhor recomendou que a gente não viva só pra si. Tem até um ditado popular que diz que quem não “vive pra servir, não serve pra viver”, não é?! Então temos que servir os outros quando podemos e quando os outros precisam. É uma obrigação que temos de ajudar, pois a medida que damos, recebemos mais ainda.
Os amigos. Humanamente falando, a amizade é a melhor coisa que tem. E a gente fazer o que pode pelos outros, ajudar quem a gente pode. Isso é um mandado Divino. Nosso Senhor recomendou que a gente não viva só pra si. Tem até um ditado popular que diz que quem não “vive pra servir, não serve pra viver”, não é?! Então temos que servir os outros quando podemos e quando os outros precisam. É uma obrigação que temos de ajudar, pois a medida que damos, recebemos mais ainda.
Qual a característica mais marcante de Monteiro Lobato?
É uma cidade muito boa, muito gostosa. O clima, a paisagem, essas montanhas. Hoje mesmo na minha caminha pelo escurinho, quase de manhã, que eu faço todo dia até o Jardim Alvorada, quando eu contemplo essa montanhas de Monteiro de manhãzinha, agradeço a Deus porque é mais um dia que está amanhecendo pra gente. E Monteiro é muito boa, é uma cidade com um povo muito bom, fui muito bem acolhido aqui e tenho que agradecer isso também. E a cidade é maravilhosa, pequena, não tem os problemas de uma cidade grande, tem em pequena escala alguns problemas que estão surgindo, mas o perigo de uma cidade grande, não temos. Isso é uma característica de nossa cidade. Droga que em cidade grande é comum, aqui temos mas é em pequena escala. Coisas assim...
É uma cidade muito boa, muito gostosa. O clima, a paisagem, essas montanhas. Hoje mesmo na minha caminha pelo escurinho, quase de manhã, que eu faço todo dia até o Jardim Alvorada, quando eu contemplo essa montanhas de Monteiro de manhãzinha, agradeço a Deus porque é mais um dia que está amanhecendo pra gente. E Monteiro é muito boa, é uma cidade com um povo muito bom, fui muito bem acolhido aqui e tenho que agradecer isso também. E a cidade é maravilhosa, pequena, não tem os problemas de uma cidade grande, tem em pequena escala alguns problemas que estão surgindo, mas o perigo de uma cidade grande, não temos. Isso é uma característica de nossa cidade. Droga que em cidade grande é comum, aqui temos mas é em pequena escala. Coisas assim...
O que mudou em Monteiro Lobato nas últimas décadas?
Quando vim pra cá em 1963, Monteiro era uma Vila muito pobre. Não tinha energia elétrica, não tinha asfalto, não tinha um palmo de rede de esgoto. Tinha uma Usina bem pra baixo do Jardim Iracema, movida a água que um velhinho da prefeitura ia ligar lá as 6 horas da tarde e desligava as 6 da manhã. Durante o dia não tinha nada de energia elétrica na casa de ninguém. E em 1955, veio essa energia que temos aí, pela empresa Light, hoje temos a Bandeirante... Mas presenciei o crescimento disso, pois quando eu cheguei não tinha nada disso aí. O abastecimento de água era muito precário, a água não era tratada, quando chovia a água ficava suja, não sei como as donas de casa faziam pra lavar uma roupa, até mesmo pra cozinhar. E bem mais tarde chegou o tratamento da água. Esgoto tinha que ser fossa. Na minha casa mesmo tinha um buracão aonde ia o esgoto. A Vila São Sebastião, por exemplo, aquilo era uma pobreza tremenda, sem esgoto, uma falta de higiene tremenda que era lá. Eu presenciei a vinda dos melhoramentos desta cidade. Não tinha infra-estrutura de jeito nenhum. E hoje temos quase tudo. E me orgulho de ter trabalhado no Centro de Saúde e ter ajudado tanta gente. Hoje é um órgão que merece toda admiração, pois temos bastantes funcionários, naquela época a administração era precária, agora melhorou com a municipalização da saúde. E temos que contar com os recursos de fora. Porque se for contar só com os recursos daqui, coitado do Vargas (prefeito). A arrecadação daqui é muito pequena. A saúde merece toda nossa consideração pelo serviço que presta. É um estabelecimento onde todos precisam dele.
Quando vim pra cá em 1963, Monteiro era uma Vila muito pobre. Não tinha energia elétrica, não tinha asfalto, não tinha um palmo de rede de esgoto. Tinha uma Usina bem pra baixo do Jardim Iracema, movida a água que um velhinho da prefeitura ia ligar lá as 6 horas da tarde e desligava as 6 da manhã. Durante o dia não tinha nada de energia elétrica na casa de ninguém. E em 1955, veio essa energia que temos aí, pela empresa Light, hoje temos a Bandeirante... Mas presenciei o crescimento disso, pois quando eu cheguei não tinha nada disso aí. O abastecimento de água era muito precário, a água não era tratada, quando chovia a água ficava suja, não sei como as donas de casa faziam pra lavar uma roupa, até mesmo pra cozinhar. E bem mais tarde chegou o tratamento da água. Esgoto tinha que ser fossa. Na minha casa mesmo tinha um buracão aonde ia o esgoto. A Vila São Sebastião, por exemplo, aquilo era uma pobreza tremenda, sem esgoto, uma falta de higiene tremenda que era lá. Eu presenciei a vinda dos melhoramentos desta cidade. Não tinha infra-estrutura de jeito nenhum. E hoje temos quase tudo. E me orgulho de ter trabalhado no Centro de Saúde e ter ajudado tanta gente. Hoje é um órgão que merece toda admiração, pois temos bastantes funcionários, naquela época a administração era precária, agora melhorou com a municipalização da saúde. E temos que contar com os recursos de fora. Porque se for contar só com os recursos daqui, coitado do Vargas (prefeito). A arrecadação daqui é muito pequena. A saúde merece toda nossa consideração pelo serviço que presta. É um estabelecimento onde todos precisam dele.
Como o Sr. vê nossa cidade no futuro?
A gente tem que ser otimista. Assim como nossa cidade cresceu, como eu disse muita coisa mudou desde os 56 anos que estou aqui, a gente tem que esperar que novas coisas aconteçam daqui por diante. O Vargas está aí com uma responsabilidade muito grande. Foi eleito com uma grande parcela de votos e está muito bom. Estou satisfeito com ele, embora não tenha votado nele, e ele sabe disso, mas eu acho que chegou a vez dele. Tivemos grandes prefeitos, como o João Bueno, Caetano Manzi, há muitos anos e foi ele que trouxe a Light pra cá. Temos que encarar o futuro da cidade com otimismo, assim como ela cresceu nas últimas décadas ela ainda vai crescer mais concerteza.
A gente tem que ser otimista. Assim como nossa cidade cresceu, como eu disse muita coisa mudou desde os 56 anos que estou aqui, a gente tem que esperar que novas coisas aconteçam daqui por diante. O Vargas está aí com uma responsabilidade muito grande. Foi eleito com uma grande parcela de votos e está muito bom. Estou satisfeito com ele, embora não tenha votado nele, e ele sabe disso, mas eu acho que chegou a vez dele. Tivemos grandes prefeitos, como o João Bueno, Caetano Manzi, há muitos anos e foi ele que trouxe a Light pra cá. Temos que encarar o futuro da cidade com otimismo, assim como ela cresceu nas últimas décadas ela ainda vai crescer mais concerteza.
Qual seu bem mais precioso?
Acho que a saúde, os amigos e a vontade de viver, pois temos que gostar da vida, né?! Se não gostarmos da vida, a gente entra em depressão e ai não dá. A vida é um dom divino. A vida antes de tudo.
Acho que a saúde, os amigos e a vontade de viver, pois temos que gostar da vida, né?! Se não gostarmos da vida, a gente entra em depressão e ai não dá. A vida é um dom divino. A vida antes de tudo.
Pro Sr. o que é felicidade?
Felicidade é a boa convivência com o próximo, com todos de modo geral e sem ela é impossível o ser humano viver, pois se não houver uma convivência fraterna, amizade, este desejo de servir, não conseguiremos resolver todos os problemas de todos, mas o importante é ajudar, é uma obrigação cristã.
Felicidade é a boa convivência com o próximo, com todos de modo geral e sem ela é impossível o ser humano viver, pois se não houver uma convivência fraterna, amizade, este desejo de servir, não conseguiremos resolver todos os problemas de todos, mas o importante é ajudar, é uma obrigação cristã.










