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| Beto (PP) / Foto: Vivian Gasperotto |
Roberto Oliveira da Silva, mais conhecido como Beto, é um
homem simples e tranquilo, que preza o valor familiar e principalmente a
formação dos três filhos. Atualmente comerciante em Monteiro Lobato, ele conta
com 30 anos de atuação política, tendo exercido o cargo de vereador no
município por três mandatos. Nascido e criado na cidade, Beto quer oferecer à
população, principalmente aos jovens, as oportunidades que teve que buscar
fora. Ele ainda afirma que Monteiro está atrasada e que a partir de sua
experiência e vontade de governar, quer trabalhar para que o município se
desenvolva de acordo com o crescimento do Vale do Paraíba.
Folha Cultural - Por
que o senhor decidiu se candidatar?
Beto - Eu quero
ser prefeito porque eu tenho uma experiência política há 30 anos, com três
mandatos como vereador. Porque Monteiro precisa de um desenvolvimento para
acompanhar a nossa região do Vale do Paraíba. Monteiro está um pouco atrasada e
este desenvolvimento precisa ser feito. Hoje, a nossa juventude não tem
oportunidade para viver, trabalhar e morar aqui. Falta 90% de oportunidade para
o jovem da nossa cidade. A parte de emprego em Monteiro é quase zero e a parte
social também deixa muito a desejar. Por este motivo, eu acredito que hoje eu
esteja preparado para assumir a prefeitura e oferecer uma boa administração,
com conteúdo, para que a população fique satisfatoriamente bem.
Folha - Se eleito, o
que o senhor priorizará em sua administração?
Beto - A
prioridade é, justamente, investir e administrar o município com competência e
capacidade de analisar e executar projetos para grandes e pequenas obras, com
medidas específicas para estradas e transportes, saúde, educação, comunicação
rural e urbana, geração de emprego, empreendedorismo, turismo e lazer,
habitação e com a valorização da família,
trazendo ela junto da administração, para que possamos encontrar uma
saída adequada para o nosso município. Segurança também é primordial e hoje nós
temos uma grande defasagem. Existem muitas chácaras e propriedades no Centro
que estão sendo assaltadas quase toda semana. Pretendemos instalar câmeras, não
só no município, mas também nas entradas dos sítios e dos bairros, e oferecer
atendimento muito rápido para quem for vítima deste tipo de acontecimento.
Que pontos na atual
gestão precisam de melhoria?
Beto - Acho que
Monteiro está muito abandonada em relação à população mais carente,
principalmente no atendimento médico, que era o grande suporte de Monteiro no
passado e hoje deixa muito a desejar. Na área estrutural, os jovens não têm
nada. Eu mesmo e o Thiago (seu vice), tivemos que ir embora para São José para
estudarmos, nos estruturarmos, trabalharmos e desenvolvermos, e esta mesma
oportunidade nós queremos oferecer aos jovens de Monteiro.
Folha - Quais os
critérios para a escolha dos secretários e demais cargos de confiança que irão
compor sua administração?
Beto - Para os
nossos cargos de confiança, eu e meu vice estamos conversando com os setores.
Recentemente, nós estivemos reunidos com os professores, conversando para que
eles possam indicar o secretário de Educação, para que nós não corramos o risco
de indicar alguém e essa pessoa não estar a contento para administrar este cargo,
então é mais fácil você ouvir alguém deste meio. Nós também estamos ouvindo a
população para que ela opine.
Folha - O que o
cidadão deve saber sobre a sua gestão e como ele pode participar do seu projeto
de governo?
Beto - Ele vai
participar da seguinte maneira: nós vamos apresentar a toda população o
orçamento anual da prefeitura. Nós vamos trabalhar com o orçamento em cima da
mesa e, através dele, e dos projetos que vão ser executados, vamos trazer a
população para participar da administração no que ela realmente tem de bom,
para que possa melhorar o município em
termos de ideias, projetos e participação. Nós pretendemos montar um grupo de
munícipes paralelo a administração para que venham nos acompanhar. Uma das reclamações
que existe, em geral, é que após as eleições os políticos se afastam durante os
quatro anos e não procuram a população. Hoje o orçamento anual da Prefeitura de
Monteiro Lobato é em torno de 10 milhões de reais ao ano, e a população não tem
acesso a isso.
***
Folha - Monteiro
Lobato ainda sofre com a questão do transporte público, tanto no
intermunicipal, que conta com veículos em condições ruins e lotação de
passageiros, quanto o circular no município, que atende apenas dois bairros.
Como o senhor vai tratar esses problemas?
Beto - Quando o prefeito assume uma administração ele tem, no
mínimo, a obrigação de fazer um bom atendimento principalmente nos bairros. Nós
estamos trabalhando, estudando uma maneira de viabilizar a situação das pessoas
mais carentes e vamos encontrar uma saída adequada para que essa população não
tenha mais prejuízo e possa ser bem atendida neste setor do transporte, que
praticamente não existe, a única maneira de transporte nos bairros é a dos
nossos taxistas. No transporte intermunicipal, tem uma pessoa responsável nesta
área de transporte urbano que esteve reunida conosco e nos garantiu que todos
estes ônibus que transportam as pessoas de Monteiro, São Francisco e São José
dos Campos, são totalmente inviáveis para transportar passageiros, não oferecem
a mínima condição de transporte, a segurança é mínima no que tange os assentos
dos ônibus. São ônibus que não podem transportar passageiros em outras cidades,
e eles trazem aqui para Monteiro. Então, o que nós vamos exigir é que eles ofereçam
mais ônibus, com conforto e segurança, porque a informação que nós temos é de
que as empresas têm lucro, elas não tem prejuízo, e realmente só estão fazendo
isso aí porque não tem ninguém exigindo que elas obedeçam as leis. Hoje a
população está sendo transportada nestes ônibus com uma total falta de
segurança, correndo um sério risco de acidente nas nossas rodovias. Esperamos
que isso não aconteça e, no próximo ano, se nós estivermos na prefeitura nós
vamos conversar com os proprietários dessas empresas e colocar para eles a
necessidade de que realmente eles cumpram a lei. Inclusive, nós vamos fazer na
nossa administração o que já existe em São José dos Campos: ceder uma
carteirinha para os idosos, os aposentados, porque hoje muitos deles são
proibidos de passar a roleta de graça e, às vezes, vão para a cidade com neto,
com crianças.
Folha – Há tempos
Monteiro Lobato virou local de paradas rápidas ao turista a caminho das cidades
vizinhas. Quais suas propostas para
fomentar o turismo no município? Pretende dar continuidade ao Festival de
Literatura Infantil, implementado nos últimos 3 anos?
Beto - Nosso
propósito é justamente esse, manter o que está bom, desenvolvermos o que
precisa se desenvolver, e recuperarmos o que era bom e foi esquecido, como a
Festa do Pangaré. Nós temos que retornar porque é uma festa que levava o nome
de Monteiro para a região, é uma festa muito famosa. E tem a Festa da Fogueira
que existia... Nossa região é muito rural, nós temos que desenvolver
principalmente a área rural, as estradas rurais, para oferecermos condições de
implantar pousadas e condomínios para que a população rural e os empresários,
que vêm investir em Monteiro, tenham segurança para fazer este investimento e
possamos desenvolver nosso município na área turística. Na região do Centro tem
muitas reclamações de turistas de que não existe banheiro público, este
banheiro tem que existir. Existe um projeto nosso na Câmara para este banheiro
ser feito na praça principal de Monteiro. É um projeto subterrâneo, que temos
que fazer para ocupar bem este espaço, que é pequeno, mas não sei porque ainda
não foi feito. Também pretendemos colocar dois ou três hotéis no município,
porque não existe um hotel na cidade.
Folha- Como pretende
suprir a carência de atividades de esporte e lazer, voltado principalmente aos
jovens e idosos?
Beto - Hoje, o esporte e lazer em Monteiro é muito
deficitário, existe um orçamento em torno de 300 mil reais ao ano para a área
de esporte. Nós pretendemos montar grupos nos bairros de Monteiro com pessoas
que tenham capacidade para desenvolver este trabalho, para trazermos os jovens
no contexto em que eles possam participar de várias atividades no esporte. Nós
pretendemos, em São Benedito, terminarmos as obras e
cobrirmos a quadra, no bairro do
Souza concluirmos as obras do campo de futebol, que foram iniciadas e estão
paradas, queremos dar continuidade a este projeto e tem a quadra da Vila
Esperança também. Inclusive queremos fazer a reforma total do clube do
Poliesportivo, construindo duas piscinas para adequarmos tanto a necessidade
dos jovens quanto dos idosos, para dar abertura para eles se desenvolverem no
esporte. Temos que nos preocupar não só com os jovens, mas com a população da
terceira idade, já que o aumento dela é bastante.
Folha - Quais ações
serão destinadas para a área da saúde e como pretende colocá-las em prática, se
for eleito?
Beto - Na Saúde
nós temos um orçamento de cerca de três milhões de reais ao ano em Monteiro.
Temos que adequar este contingente de dinheiro, de verba, para as principais
necessidades de hoje. Pode não ser uma grande quantia de dinheiro, mas se
soubermos usar, tenho certeza que a população de Monteiro Lobato vai ser
beneficiada. Nesta área da Saúde, temos muitas reclamações. Temos que
desenvolver um convênio com São José dos Campos, a cidade mais próxima à nossa,
para que nossos pacientes tenham um espaço de atendimento melhor com condições
de transporte de Monteiro para São José com uma segurança maior, talvez uma
ambulância UTI porque hoje é uma necessidade do nosso município. Muitos
pacientes já faleceram no caminho por falta de atendimento mais profundo, de
oxigênio, este tipo de coisa. E o nosso posto de Saúde não funciona a noite. Na
nossa gestão vai ter atividade normal, com o posto funcionando, com funcionário
atendendo normalmente, inclusive com segurança adequada para que isso aconteça.
Hoje também existe uma reclamação muito grande do munícipe, quando ele vai ser
transportado para São José dos Campos a ambulância tem que ficar aguardando o
paciente porque quando o paciente termina a consulta, ou o atendimento que está
tendo, ele chega a esperar três, quatro horas porque a condução demora a
buscar. Esse tipo de coisa não pode mais acontecer porque às vezes o paciente
está com dor, não tem dinheiro pra tomar um lanche, a dificuldade é imensa e
tem que ficar aguardando transporte para o município. A partir do momento que
tem que levar o paciente, a condução tem que ficar esperando para poder
retornar ao município, até mesmo porque é economia para o município.
Folha - Como serão tratadas as estradas rurais do
município, que sofrem principalmente em períodos chuvosos?
Beto - Em relação
à área rural, acho que o mínimo que se tem numa estrada rural é um conserveiro,
porque se não tiver um conserveiro todo o serviço que se tiver feito é perdido.
E também fazer um atendimento adequado não só em final de mandato, mas um
atendimento normal durante os quatro anos para que justamente a área rural não
sofra os prejuízos que vem sofrendo. Porque hoje em Monteiro Lobato a área
rural corresponde a 80% do município. Nós temos que fazer um investimento na
área rural para que possamos levar o desenvolvimento para que a população tenha
condições sem precisar estar saindo da área rural. Principalmente se nós
pretendemos promover as pousadas e condomínios rurais, nós temos que no mínimo
dar condições de acesso, senão não tem como desenvolver este projeto. Também
existe hoje um projeto nosso junto com a Associação ‘APPE’, juntamente com a Prefeitura, que nós vamos
implantar a Casa de Agricultura, dar todo o apoio necessário para o produtor
rural, para que eles possam desenvolver,
investir na área rural com plantações. Através da prefeitura e dessa
associação, nós vamos conseguir financiamento, através dos governos Estadual e
Federal. Nós pretendemos fazer um convênio, um contrato com a prefeitura de São
José dos Campos onde nós passaremos os produtos produzidos na área rural para
através da merenda escolar da prefeitura, o que vai suprir toda a produção. Com
a tendência de hoje o agricultor rural precisa ter pelo menos uma chance de ter
uma renda mensal em torno de 1500 a 2 mil reais por mês, já existe um projeto
que, com certeza, vai ter uma reação muito boa.
Folha – Como o senhor
(a) pretende cuidar dos projetos voltados para a educação e o que pretende
mudar?
Beto - Nós não
temos como nos aprofundar neste setor porque nós não conhecemos profundamente a
educação. É como eu disse no começo, nós pretendemos que o pessoal da educação
passe para a nossa administração o que realmente for prioridade, porque como nós não temos conhecimento, nós vamos
convidar o pessoal da educação. Minha esposa, inclusive, é diretora, através
dela, através do grupo de professores, do pessoal que participa da Educação de
Monteiro Lobato que eles possam fazer a indicação, trazer os projetos deles
para que juntos possamos fazer o melhor para o município. Acho que se quisermos
fazer uma boa administração, no mínimo, temos que organizar este setor, e o
mínimo hoje é doar uniforme para o aluno que depende da educação municipal.

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