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| Daniela (PSB) / Foto: Vivian Gasperotto |
Ela pode se tornar a primeira mulher prefeita em Monteiro Lobato. Daniela de Cássia (PSB), aos 33 anos, é a candidata mais nova na disputa pela Prefeitura, mas traz em seu currículo experiências políticas de veterana. Formada em Pedagogia e pós graduada em Gestão de Políticas Sociais, Daniela já foi secretária de Gabinete, secretária de Turismo e Cultura, e chefe de Gabinete no município, onde ganhou reconhecimento ao ser convidada para trabalhar no Governo do Estado de São Paulo, em 2008. De volta a Monteiro, ela afirma que se eleita, quer contribuir com sua experiência para a qualidade de vida das pessoas e fazer um governo popular.
Folha Cultural - Por que a senhora decidiu se candidatar?
Daniela - Eu acho que quando a gente se envolve muito com a comunidade, começa a perceber melhor os anseios dela. Eu sempre tive um envolvimento comunitário muito forte dentro de mim, desde a época em que trabalhava na igreja. Quando eu fui para São Paulo, trabalhar no Governo do Estado, eu via muita coisa acontecendo. Eu coordenava mais de 100 municípios, pequenos como o nosso, via o desenvolvimento desses municípios e me dava aquela vontade de fazer a diferença, de voltar para Monteiro Lobato e poder contribuir. Acho que governar é isso, é você poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e é por isso que eu decidi ser candidata.
Folha - Se eleita, o que priorizará em sua administração?
Daniela - Eu tenho feito uma campanha bem interessante. É claro que Plano de Governo a gente tem, mas nesse primeiro mês de campanha, preferi ouvir da população qual é seu o anseio, e eu tenho percebido que, por unanimidade, o anseio é pela área da Saúde.
Folha - Que pontos na atual gestão precisam de melhoria?
Daniela - Eu acredito que precisa ter planejamento. Eu acho que um dos principais pontos de qualquer administração é o planejamento, pois se você não sabe para onde vai, fica bem complicado. Acho que todos os ventos são contrários e você está trabalhando, muitas vezes em vão, quando não planeja. Eu acredito que tenha que ter um departamento de Planejamento na Prefeitura. O administrador tem que saber como ele vai entregar a administração daqui a quatro anos. O administrador tem que ter visão. E, com certeza, precisamos de um governo bem popular, um governo muito presente na vida das pessoas. Acho que esse é o maior anseio das pessoas, que você vá até elas.
Folha - Quais os critérios para a escolha dos secretários e demais cargos de confiança que irão compor sua administração?
Daniela - Acredito que precisa haver uma reestruturação dos cargos na administração. Por exemplo, hoje não existe uma secretaria de Planejamento e eu considero isto de extrema importância, então, se eleita, vou fazer um diagnóstico da situação do município, ver quais as áreas que precisam de mais empenho. E para escolha dos secretários, vou reunir uma questão de técnica e de gestão de pessoas, deles saberem lidar com outras pessoas principalmente.
Folha - O que o cidadão deve saber sobre a sua gestão e como ele pode participar do seu projeto de governo?
Daniela - Acho que o prefeito tem que realmente escancarar as portas da Prefeitura para a população. Hoje em dia nós não vemos jovens interessados na administração pública, as crianças menos ainda. As pessoas dizem que não gostam de política, só que todo mundo depende de política para viver. Trabalhar essa consciência política de maneira comunitária é muito importante e isso pode começar pelo prefeito, a partir do momento em que o gabinete e as portas da Prefeitura são abertos a esse diálogo. Uma das coisas que eu gostaria de fazer é um Conselho Gestor, com pessoas de vários bairros se reunindo junto com o prefeito e com o secretariado para discutir a situação daquela localidade. Outra coisa é o Governo Itinerante, é o prefeito ir até a praça pública em um dia, para que a população vá tirar dúvidas e participar mais da administração. Debates em escolas também, onde prefeito possa estar mais presente junto com a juventude e dar espaço aos jovens. Muitas vezes as pessoas nem sabem como funciona a administração pública e, a partir do momento que se abre isso, começa a criar nas pessoas uma consciência política e até um desejo de estar ali daqui a alguns anos. Eu pretendo com a minha candidatura realmente isso, ser um modelo para as próximas gerações, ser um espelho mesmo.
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Folha - Monteiro Lobato ainda sofre com a questão do transportes público, tanto no intermunicipal, que conta com veículos em condições ruins e lotação de passageiros, quanto o circular no município, que atende apenas dois bairros. Como a senhora vai tratar esses problemas?
Daniela - Acredito que com um bom diálogo você consegue trazer pelo menos pessoas que realmente se interessem pela cidade. Um problema que eu já participei, como chefe de Gabinete, é da gente conversar com a empresa e reclamar tudo isso e a empresa dizer que não compensa trabalhar em Monteiro Lobato. Participei de uma conversa com o prefeito e com a empresa, e a gente tem sempre que mostrar outro lado, que eles vão ganhar estando aqui. De repente, um ônibus grande não seria vantajoso para ir do Souza até o São Benedito, mas uma van iria fazer tranquilamente, eu acredito tenha que colocar tudo no seu devido lugar. Acho que a gente tem que se empenhar mais em mostrar os benefícios. Na conversa que a gente teve com a empresa, eles disseram que não compensava o Transporte intermunicipal, mas com um bom diálogo, mostrando quais são as vantagens, a gente consegue negociar, ou até mesmo trazer empresas que se interessem pelo município. Várias pessoas já nos pararam dizendo, ‘poxa eu teria interesse em participar de uma licitação, de colocar uma van da cidade para os bairros’. Acho que isso tem que ser bem estudado.
Folha - Há tempos Monteiro Lobato virou local de paradas rápidas ao turista a caminho das cidades vizinhas. Quais suas propostas para fomentar o Turismo no município?
Daniela - Acho que um dos grandes pontos da administração atual é a parte cultural. Acho que nunca foi tão trabalhada a questão do escritor Monteiro Lobato quanto nesta administração, e a equipe está de parabéns por isso. É claro eu acho que o que está dando certo a gente pode até melhorar, mas jamais acabar com o Festival de Literatura. Acredito que o nosso Festival de Literatura já está no mesmo nível do Festival de Literatura de São Francisco Xavier, que tem todos os recursos do Governo do Estado, da Prefeitura de São José dos Campos. Se a gente vê a programação, vemos que não deixa nada a desejar e acho que só tem que incentivar. Agora, em relação à questão do Turismo eu acho que não depende somente da Prefeitura, a gente pretende continuar fomentando essa questão. Eu percebo que Monteiro Lobato está numa outra fase, uma fase de maturidade, inclusive nessa questão do Turismo. Existe um grupo que se chama Planejatur, que tem trabalhado, estudado muito as questões, levantado problemas e eventuais soluções, acho que devemos fomentar para que mais pessoas freqüentem e participem. Acredito também que temos que investir muito no embelezamento da cidade, pois uma cidade bonita, aconchegante, atrai o turista. Hoje o turista só passa porque não se sente atraído, mas se a gente tiver uma praça bonita, temática, que tenha eventos, as pessoas vêm participar. Hoje temos restaurantes famosos, como o ‘Tia Anastácia’ e o ‘Resgate Caipira’, que cresceram muito e atraem o Turismo, então quer dizer que a gente tem uma culinária forte. Temos pousadas lindíssimas na cidade também. Como prefeito, a gente tem que deixar a cidade mais aconchegante, para o turista não ficar isolado na pousada e ter um incentivo para vir e frequentar mais a cidade. Precisamos investir realmente na cultura porque que o Turismo cultural é o que vai fazer com que o turista venha para ficar e participar. Outra ala é o Turismo rural, em que podemos capacitar os proprietários rurais para que tenham em suas propriedades condições de acolher o turista. As riquezas natural, cultural e mineral, Monteiro Lobato tem de sobra, então a gente tem que investir muito nisso. Sinalização turística, por exemplo, hoje as pessoas reclamam de não ter estacionamento na praça, mas nós temos um estacionamento a 50 metros da praça que as pessoas não usam porque não está sinalizado. Fazer um centro de informações turísticas onde estejam concentradas essas informações, exista folders das propriedades e uma pessoa que saiba acolher, que saiba dar informações, acha que ajuda muito. Precisamos fazer uma grande revitalização do centro de Monteiro Lobato.
Folha - Como pretende suprir a carência de atividades de esporte e lazer, voltado principalmente aos jovens e idosos?
Daniela - Nós temos um ginásio Poliesportivo, um espaço que eu acho que é pouco utilizado. Devemos ter atividades pelo menos de segunda a sábado, em diversos horários, para que não atrapalhe o horário de aula. Para quem estuda de manhã, vai ter atividade à tarde, para quem estuda à tarde vai ter atividade de manhã. E ter diversas modalidades de esporte, porque hoje só temos futebol, meu filho, por exemplo, não gosta de futebol, poderíamos ter outras modalidades, como balé, vôlei, ginástica olímpica, entre outras. O governo do Estado tem um projeto que se chama “Esporte Social” e é um recurso que vem para o município justamente para suprir a maior carência, que é a contratação de monitor. Se falar que terão atividades e deixar a quadra aberta, muitas mães não deixam o filho ir sem monitoria. Com esse recurso do governo do Estado eu acredito que a gente consiga bancar vários monitores para diversos tipos de atividades.
Folha- Quais ações serão destinadas para a área da Saúde e como pretende colocá-las em prática, se for eleita?
Daniela - Acho que a Saúde tem que ser muito bem estudada, mas tudo que a gente fala numa entrevista como essa é muito genérico, porque não sabemos a fundo os problemas de cada secretaria. Na hora que estivermos lá é que vamos conseguir fazer um diagnóstico mais completo. Porém, eu acredito que o PSF (Programa Saúde da Família) é um setor que tem que funcionar de maneira mais efetiva. O Programa tem os agentes de Saúde que estão nos bairros, mas tem que ser mais efetivo, talvez com a contratação de mais médicos. Tem a questão da terceirização do programa de Pronto Atendimento. A gente deveria ter médicos concursados para fazer este atendimento, porque a rotatividade de médicos é muito grande, e já tivemos bastante reclamação. Por serem terceirizados, não tem como você reclamar daquele médico, porque a próxima consulta nem será com ele. Agora, se o médico é do município, ele acompanha mais de perto os problemas da cidade, é mais fácil e a Prefeitura tem poderes pra cobrar um atendimento mais eficiente. Eu acredito em capacitação e em humanização. Hoje em dia se fala muito em ter um hospital humanizado, uma saúde humanizada. A capacitação tem que ser mais humanizadora para os funcionários da saúde, porque quem chega com um problema, já não está muito legal e às vezes não é bem acolhido. A gente precisa trabalhar muito a questão da acolhida na Saúde, o anseio da população não é de coisas muito absurdas. As pessoas precisam de atenção, que o outro olhe o meu problema e de alguma forma tente ajudar. Se eleita, eu irei investir muito na humanização da área da Saúde.
Folha - Como serão tratadas as estradas rurais do município, que sofrem principalmente em períodos chuvosos?
Daniela - Pelo o que eu tenho percebido, temos muitos quilômetros de estrada rural, e o governo Vargas, o governo atual, nos ajudou até nisso e vai deixar dois presentes para a próxima administração: uma máquina nova ‘Patrol’ - a nossa tem mais de 20 anos- e uma Retro-Escavadeira. Agora, um grande problema nosso é o operador de máquina, pois não temos profissionais e o salário é muito baixo. Uma das principais coisas seria rever essa questão salarial do operador de máquina, porque, se paga pouco, não conseguimos ter um bom operador. Não adianta ter duas máquinas e agora não ter um operador. Outra questão complicada é a falta de pedra, não temos pedreira no município e ir buscar fora fica muito custoso para a Prefeitura, porém é um outro ponto que a gente vai ter resolver. Uma das coisas que eu acho que já melhoraria, mesmo a gente tendo algumas dificuldades, seria um cumprimento de escala, de um cronograma de trabalho. Por exemplo, se eu vou para o bairro do Descoberto, eu vou terminar o bairro do Descoberto, tudo que tem de fazer. Muitas vezes acontece isso: hoje está no Descoberto, amanhã está lá no Matinada, no outro dia está na Pedra Branca. Às vezes a máquina passou, mas ai tem a questão do mato que está crescendo, tem as pedras, vai passando muito carro e vai jogando as pedras para o lado, então a questão do conserveiro ajuda muito. São coisas básicas, não são coisas absurdas e eu acredito que a administração consiga resolver.
Folha - Como pretende dar continuidade a estes projetos voltados para educação e o que pretende mudar?
Daniela - A Educação é uma das pastas que mais tem recurso. O que eu acho que falta na Educação é a gente querer ser visionário, querer uma Educação diferenciada, não tão básica quanto se vê. Uma Educação mais empreendedora, porque hoje a gente tem cursos, tem parceria com o SEBRAE, com várias entidades e isto não tem custo para o município. Acho que a gente vai investir muito na Educação empreendedora e começar a trabalhar empreendedorismo desde criança.

3 comentários:
Este e um bom exemplo de política pensar no bem estar da população e essencial, tem que chegar e fazer a diferença mesmo, acredito que você terá muito trabalho pela frente pode ate ser difícil porém, nada e impossível. Só uma observação você já e um espelho e um modelo de líder a muito tempo para muitas pessoas.
Parabéns
Daniela tem propriedade do que está falando e como uma boa gestadora õ está fazendo promessas absurdas para ganhar voto.Mesmo não votando nessa cidade, sou muito grata a ela, pois trabalhei por 10 anos como professora e acredito na dedicação dos lobatenses e só tenho agradecer pela minha estada ai.Acredito também no empenho da Daniela para a educação e na valorização dos profissionais de altíssimo nível que a prefeitura dispõe hoje.Amei a entrevista, de alto nível mesmo e acredito em todas palavras mencionadas pela entrevistada.Parabéns!
sem comentários..
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