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| Adalberto Sene (PSDB) / Foto: Vivian Gaspertto |
Basta conhecer um pouco Adalberto Sene (PSDB) para saber que a política já está inserida no seu perfil. Seja pelo discurso bem elaborado, que prioriza aquilo que o eleitor gosta de ouvir, quanto por sua própria biografia. Aos 54 anos de idade, Adalberto é empresário, formado em Pedagogia, e na vida pública, já foi vereador, secretário de esportes por dois mandatos e eleito vice-prefeito de Monteiro Lobato, em 2007. Na atual gestão, ele mesmo afirma que não conseguiu fazer grandes coisas, mas deixa claro o sentimento de dívida com a população e a vontade de poder executar “grandes obras”, se eleito. Tendo como prioridade a saúde e educação, o candidato enfatiza suas propostas para melhorar a qualidade de vida da população.
Folha Cultural - Por que decidiu se candidatar?
Adalberto Sene - Primeiro porque o prefeito atual não quis mais levantar a bandeira do meu partido e eu não acho justo um partido tão grande, como o PSDB, deixar de ter um candidato na cidade. Afinal de contas, eu tenho uma dívida com a comunidade, porque como vice-prefeito fiquei sem muito poder para executar algumas coisas. Quero pagar essa dívida com a comunidade e executar grandes obras, não tão grandes porque os recursos não são grandes... Mas eu quero executar o meu sonho, que é administrar Monteiro Lobato.
Folha - Se eleito, o que o senhor priorizará em sua administração?
Adalberto - Quando se fala em prioridade é um pouco complicado, porque são várias prioridades. Saúde é a prioridade principal e educação também. Na saúde você tem que fazer um trabalho onde as pessoas são bem recebidas, bem tratadas. Precisa valorizar a saúde, pois sem ela você não tem vida. E a educação também tem que ser prioridade, porque através dela você consegue desenvolver um país. Prioridade também são as estradas rurais, porque com as estradas interrompidas você não consegue trazer o paciente até o posto de saúde e nem a criança até a escola. Prioridade também é o esporte, pois através do esporte você consegue tirar as crianças das drogas e aumentar a autoestima das pessoas.
Folha - Que pontos na atual gestão precisam de melhoria?
Adalberto - Qualidade de vida. Qualidade de vida é dar uma vida digna para uma pessoa, uma casa própria pra ela, que é o sonho de muitos. Nós não queremos crescer a cidade, queremos melhorar a qualidade de vida. Através de um poliesportivo, onde as crianças possam nadar, porque hoje não podem nadar nesse rio poluído que temos. Nós tínhamos 75% de esgoto tratado, hoje não tem mais. O objetivo nosso era elevar a 100%, para sermos referência nacional. Porque toda a água do nosso município é nossa mesmo, então não é impossível, é fácil fazer fossas sépticas, fazer captação e tratamento de esgoto. No bairro do Souza, todos os dejetos são jogados no nosso rio, um rio maravilhoso e lindo onde as crianças podiam estar brincando. Quero fazer um poliesportivo, onde tenha piscina, uma quadra pra brincarem de futebol, uma rampa de skate, bicecross, raia de boxa, malha, onde as pessoas possam, aos fins de semana, terem um ponto de encontro.
Folha - Quais os critérios para a escolha dos secretários e demais cargos de confiança que irão compor sua administração?
Adalberto - Eu serei bem técnico. Quero uma pessoa capacitada. Seja daqui ou seja de cidades vizinhas, mas de preferência pessoas nossas, porque conhecem os problemas da nossa cidade. Não adianta nada você trazer uma pessoa de São Paulo que não saiba a realidade do nosso município. A pessoa do lugar já tem uma certa experiência e já sabe onde pode errar e acertar.
Folha - O que o cidadão deve saber sobre a sua gestão e como ele pode participar do seu projeto de governo?
Adalberto - Meu governo vai ser transparente e as portas estarão abertas para todos. Venham até a mim, podem questionar e dar sugestões. Eu costumo dizer: será que o prefeito vai ficar inteligente da noite para o dia? Não. Ele vai ser uma pessoa comum com o poder do aval dele, mas a inteligência todos irão ter. Às vezes, a pessoa lá da roça sabe o problema melhor do que eu, então ela traz até a gente e vamos tentar solucionar da melhor maneira possível.
***
Folha – Monteiro
Lobato ainda sofre com a questão do transporte público, tanto o
intermunicipal, que conta com veículos em condições ruins e lotação de
passageiros, quanto o circular no município, que atende apenas 2 bairros. Como
o senhor (a) vai tratar esses problemas?
Adalberto - Nós
queremos conversar com as empresas e ver o que elas podem melhorar para nós em
termos de ônibus, porque vemos superlotação. Nos bairros, podemos colocar uma
van, fazendo um acordo com alguém que queira fazer esse percurso, pelo menos
duas vezes ao dia, de manhã e a tarde, de início, para que ela possa vir para
nossa cidade gastar seu dinheiro. Porque se não eles (população) ficam lá, de
lá eles vão para São José e não vem para Monteiro Lobato. Esse circuito seria
Monteiro Lobato, Ponte Nova, Pedra Branca, Monteiro Lobato, e assim
sucessivamente. No bairro dos Souzas, parece que a empresa deu uma melhorada. O
problema maior tem sido esse ônibus que faz Monteiro Lobato X São José, que
está indo hiper lotado. Mas o que está fazendo com que esse número excessivo de
pessoas esteja indo para São José? É o excesso de trabalhador nosso, que sai do
município para trabalhar em São José dos Campos. Então você pode amenizar
trazendo pequenas empresas para cá, que dê trabalho para as pessoas do nosso
município. Você ameniza a carga excessiva que vai para São José trabalhar. Acho
que é uma opção de melhorar o transporte.
Folha - Há tempos Monteiro Lobato virou local de
paradas rápidas ao turista a caminho das cidades vizinhas. Quais suas propostas para fomentar o turismo
no município? Pretende dar continuidade ao Festival de Literatura Infantil,
implementado nos últimos 3 anos?
Adalberto - Com
certeza. Eu estava lá esse ano e tinham pouquíssimas pessoas participando desta
literatura, uma coisa tão bonita daquela. As pessoas nossas tem que aprender a
valorizar isso. Mas não adianta fazer só uma vez por ano. Na rodoviária eu acho
que poderia ter um livrinho de Monteiro Lobato para as pessoas lerem, um
computador público, onde as pessoas possam acessar a internet. Hoje tudo é a internet.
E o turismo nosso é um turismo caro. Poucas pessoas tem condições de
implementar o turismo. A maneira de trazer turismo é fazer eventos aqui e
trazer público pra cá. Podemos criar festas juninas, que nós não temos. Fazer
seis ou sete eventos grandes ou anuais. Fizemos nosso trilhão e a Prefeitura
não gastou quase nada de verba, trouxemos público o tempo todo, a cidade ficou
com bastante gente e os comércios ganharam. Queremos fomentar esse tipo de
pessoas para virem gastar no nosso município. As pessoas falam de turismo na
cachoeira e é meio delicado, porque as pessoas trazem seu carro cheio de
guaraná, lanche e às vezes vai lá, usa a cachoeira e deixa a sujeira,
prejudicando o meio ambiente.
Folha – Como pretende
suprir a carência de atividades de esporte e lazer, voltado principalmente aos
jovens e idosos?
Adalberto - Qual
foi a ferramenta que eu tive nesse tempo que eu trabalhei? Um campo de futebol
e uma quadra poliesportiva que hoje nem pode ser usada, porque é de tábua e foi
proibida pela lei de segurança. Mas a gente usava porque não tinha condições de
arrumá-la, devido a pouca verba que eu recebia. No esporte vocês poderão me
cobrar daqui um tempo. Como você vai fazer um atletismo se não tem um lugar
para as pessoas treinarem? Tem que ter um lugar para as pessoas treinarem,
nadarem, andarem de skate e fazerem outras atividades. Nisso eu acho que eu vou
me dar muito bem porque é o que eu gosto. Na área da cultura quero transformar
um lugar em teatro, porque hoje as crianças se apresentam na escola ou em
lugares adaptados e quero fazer um lugar próprio para que eles possam executar
seus dons de teatro e música.
Folha - Quais ações
serão destinadas para a área da saúde e como pretende colocá-las em prática, se
for eleito?
Adalberto - Primeira
ação: receptividade da pessoa que vem lá da roça, às vezes humilde, fica ali e
não tem um atendimento de RH adequado. Isso é importante porque às vezes, a
pessoa quer uma palavra de consolo, o psicológico está abalado e chega ali e
não recebe a atenção adequada, a pessoa fica receosa e não quer vir mais (para
o Posto). Levar o médico família até ela, e não tirá-la do lugar dela. Fazer
esse preventivo lá para não ter que se deslocar até aqui. A saúde chegou a
aplicar 30% do orçamento, que é uma quantia boa, mas não para empresa. Quem
está levando nosso dinheiro é uma empresa e às vezes falta remédio. Não pode
faltar remédio. Você está pagando para uma empresa que presta serviço, o
prefeito fica muito numa boa, e de repente falta remédio e não pode. Eu acho
que o melhor caminho é o serviço deixar de ser terceirizado, porque você
economiza cerca de 40 mil reais de empresa.
Folha - Como serão
tratadas as estradas rurais do município, que sofrem principalmente em períodos
chuvosos?
Adalberto - Nós
temos quase 500 km de estradas rurais. Com uma máquina velha que é do tempo do
meu avô, que comprou há 40 anos. O deputado Emanuel está mandando uma máquina
para nós e é o que vai dar solução. Acho que tem que comprar um rolo
compressor, um carro pipa, que você possa passar a máquina, jogar água e passar
um rolo compressor e nossas estradas começam a ficar boas. Temos que fazer um
rodízio. Se hoje está na Pedra Branca, daqui a quatro meses tem que estar na
Pedra Branca de novo. Assim não deixamos que as pessoas fiquem aborrecidas e
damos escoamento aos nossos produtos. Na Pedra Branca, as pessoas fazem um
trabalho de plantação que está suprindo o nosso município nas escolas. Isso
está sendo uma coisa boa que tem que ser valorizada e mantida.
Folha – Como o senhor
(a) pretende cuidar dos projetos voltados para a educação e o que pretende
mudar?
Adalberto - A
educação é tudo. Sem ela você não consegue garantir o bem maior que é o
conhecimento. Através dela você desenvolve tudo na vida. Na educação, nós vamos
bem até a 4ª série. Passou da 4ª série, o Governo Federal tem aplicado muito
pouco na nossa educação. Aí a criança e o jovem ficam sem opção e sem objetivo
na vida, porque até a 8ª fica muito
vago. Acho que tem que ter uma orientação melhor, com um objetivo
profissionalizante. E queremos colocar a inclusão digital, onde todos tenham
acesso, o que nós não temos atualmente no município.

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